Responsabilidade Social VS. Violência na Comunicação Social
A responsabilidade social detém um carácter mais complexo do que o que seria de esperar aquando foi mencionado no relatório HUTCHINS de 1947, que estabelecia que a imprensa deveria dar um relato compreensível e abrangente da realidade noticiosa, ser um fórum de discussão e de análise sobre os assuntos de interesse público, reconhecer o direito do leitor à informação de forma rigorosa e objectiva, entre outros.
A profissão de jornalista corresponde, ou pelo menos devia, a responsabilidade social. Porém, Jornalismo não se limita a uma livre expressão de ideias, embora essa liberdade seja fundamental para seu bom desempenho. Os Media transmitem o resultado de um trabalho intenso e profissional de apuração de informações, levantamento de dados, redacção e edição de notícias, mas só cumprem o seu papel social se mantiverem a independência do poder estatal, e se ajudarem a solucionar os problemas da sociedade com a discussão de todas as suas variáveis.
O compromisso do jornalista é, em primeiro lugar, com o público. Todavia, a difusão de imagens de cariz violento nos órgãos é contraditória ao princípio de responsabilidade social, na medida em que estão a contribuir para uma vulgarização de actos anteriormente reprováveis pela sociedade e pela opinião pública, ou seja, tornam comum o que é reprovável para obter uma maior audiência.
Nos últimos anos, assistimos a uma modificação voraz da percepção dos valores morais, seguida de mudanças profundas na maneira de pensar e de agir dos indivíduos. Neste processo de transformação individual e social, os meios de comunicação social desempenham, indubitavelmente, um papel relevante, pois introduzem e reflectem novas atitudes e estilos de vida. Vivemos num período em que se retrata o lado mais sórdido do Homem subjacente à realidade das condições políticas, sociais e económicas, a que o presidente Theodore Roosevelt já havia denominado de muckraking. Há uma perda de responsabilidade dos media no que toca à violência, sendo que essa desresponsabilização se traduz, de certo modo, na generalização da violência em livros, no teatro, nas revistas, no cinema e sobretudo na televisão, nos espaços publicitários e nas próprias telecomunicações, que é deveras alarmante.
Somos diariamente bombardeados com cenas que demonstram comportamentos violentos ou de sexualidade permissiva que quase chegam ao umbral da pornografia e que são moralmente inaceitáveis. A exaltação da violência é, sem dúvida, uma velha realidade da condição humana que evidencia a componente mais torpe da natureza humana, contribuindo para o despontar de um sério problema social. Enquanto cresce a confusão a respeito das normas morais, as comunicações tornaram a violência acessível ao grande público, sobretudo a crianças e jovens que são mais susceptíveis de serem influenciados pelas imagens a que estão expostos através dos meios de comunicação social.
Em suma, o direito à liberdade de expressão e ao intercâmbio livre de informação deve ser protegido, mas deve-se salvaguardar o direito dos indivíduos, das famílias e da sociedade à vida privada, à decência pública e à protecção dos valores essenciais da vida. Creio que a responsabilidade social é uma característica “romântica” dos Media, pelo menos no mundo consumista em que vivemos, e enfrenta um novo desafio: o do compromisso com a sua própria sustentabilidade económica. Isto exige um novo posicionamento, nomeadamente com a publicação de cenas de violência (para cativar o público), mas que são ao mesmo tempo reprováveis e que atentam muitas vezes contra o “espírito” de responsabilidade social estabelecido em 1947.



